sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Bem-te-quero



Mal-me-quer...
Bem-me-quer...
Muito, pouco ou nada...

Por mais que deitemos mãos à sorte
Há coisas que não dependem dela
Dependem de nós

Por mais que queiramos mudar o mundo
Há coisas que nunca mudam
Só nós mudamos

Por mais que sofras neste momento
Há coisas que te alegram
Foca-te nelas

Por mais que queiras bem a alguém
Há coisas que não têm solução
Não sei o que dizer...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Há quem encontre!



"Procura-se um amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor..
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

Vínicius de Moraes

*Dedicado a todas as amigas que fiz no decorrer do Curso e que estão para sempre no meu coração.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Porque sim



Diga sim à vida; abandone todos os nãos possíveis. Mesmo se você precisar dizer não, diga-o, mas não se deleite em dizê-lo. E, se for possível, diga-o também na forma de sim. Não perca nenhuma oportunidade de dizer sim à vida.
Quando você disser sim, diga-o com grande celebração e alegria. Nutra-o, não o diga relutantemente. Diga-o amorosamente, com entusiasmo, com gosto, coloque-se totalmente nele. Quando você disser sim, torne-se o sim!
Você ficará surpreso ao saber que 99 entre cem nãos podem ser muito facilmente abandonados. Nós os dizemos apenas como parte de nosso ego; eles não eram necessários, não eram inevitáveis.
O único não que permanece será muito significativo; esse não precisa ser abandonado. Mas, mesmo ao dizermos esse não essencial, precisamos ser muito relutantes, muito hesitantes, porque não é morte, e sim é vida.

Palavras de Osho

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Me, myself and I



Para me conhecerem de verdade
Teriam que me dividir em muitas
A diversidade de mulheres dentro de mim
Pedem-me caminhos diferentes
Se em momentos me encontro
Noutros me desencontro...
Sou um espelho do mundo envolvente
Que se reflecte nas minhas tantas mulheres
Se sou romântica, posso ser também calculista
Se sou sensata, posso ser também inconsequente
Se sou carente, posso ser também mulher fatal
Se sou séria, posso ser também atrevida
Se sou insegura, posso ser também destemida
E vou-me transformando ao longo das horas,
Espelhando tudo o que me envolve...
Contudo, há uma de mim que se mantém
Rasgue eu todos os meus segredos
Ou me exponha numa poesia,
Há uma de mim que sempre permanece
Transparente e verdadeira...


Misty dreams



Sonhei-te lentamente...
Em plena consciência do disfarce
Sabia-te irreal
Mas o sonho restava, devagar...
Com pormenores tão lentos
Que nem tempo me sobrava para pensar...
Sentei-me junto a ti
Junto ao meu sonho e pude ler indícios
Os símbolos que queria estavam lá.
Sonhei-te porque sim:
Porque não podia fazer mais nada.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pedido



Procuro o dia a cada noite que adormeço
um cheiro a terra molhada esquecido pela solidão,
atravesso o corredor cinzento do desencanto,
é apenas uma madrugada só que me abraça.

Enxugo gotas secas pela voz que não ouço,
afectos roucos trucidados no som da descrença,
prendem-se os sonhos na goma da surdez,
sinfonia não estreada por falta de compasso.

Abandono o palco defronte da plateia deserta,
sossego o maestro, o actor e o poeta.
Não se escreva, hoje, o que não pôde ser dito!
Não se encene, agora, o que não se soube exprimir!

Esqueçam-se as pautas onde a melodia se extingue!
Lá fora está escuro e só o silêncio se ouve…
Apague-se a ribalta para que não se adivinhem os passos!
Chego à janela, deixo entrar o vento e peço:

“Pousa teu olhar na minha pele…
Despe-me a saudade!”


(Poema do blogue Paços d'Água)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Happy Birthday, Mr. Stewart




Rod Stewart faz hoje 65 anos e ainda pode muito bem perguntar: Do ya think I'm sexy?






Lhasa de Sela II


Ainda Lhasa...
Referindo-se ao seu pai, deixou-nos este texto doce e cândido que passo a citar:

«O meu pai é um filósofo: anda sempre a magicar nalguma ideia. Vou vos contar a última que ele me disse. Ele diz que quando somos concebidos, aparecemos na barriga das nossas mães como que uma pequena luz perdida num espaço infinito. Não vemos, nem ouvimos e flutuamos no silêncio e na escuridão. O tempo não existe. Mas, o nosso corpo cresce lentamente e vamos começando a sentir as coisas, a tocar as paredes do nosso mundo. Depois, começamos a ouvir sons e a sentir choques que nos chegam do exterior. À medida que vamos crescendo, a distância entre nós e esse outro mundo fica mais pequena e o espaço que parecia tão infinito torna-se pequeno demais e temos que nascer. O meu pai diz que, quando nascemos, estamos aterrorizados e pensamos para nós mesmos: "Pronto… a minha vida acabou… vou morrer." Mas não é o fim, é apenas o começo".
Então, chegamos a esta vida. No princípio, somos muito pequenos e o mundo parece infinitamente grande, o tempo infinitamente longo. Mas, continuamos a crescer. Desenvolvemos os sentidos, a mente, aprendemos de novo a tocar nos limites, as paredes do nosso mundo. Mas, às vezes, à parte dos sons e sensações deste mundo, ainda ouvimos sons e sentimos choques que nos chegam… de outro mundo. Temos medo deles, e dizemo-nos a nós mesmos: "Isto é a morte". E quando a morte chega, sentimos de novo: "Isto é o fim."
Mas o meu pai acredita que isso não é o fim, é apenas o começo de qualquer outro mundo.»

Esta canção chama-se "Soon this space will be too small" - Em breve este espaço será pequeno demais.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lhasa de Sela

Nasceu no mesmo ano que eu e faleceu este ano, vítima de cancro da mama. Mas deixou-nos o seu legado... Acerca do que a inspirou em cada canção, Lhasa disse:
"The mysterious force that doesn't let us box ourselves in, that compels us to keep changing. The road is alive, we can't freeze or stop it. And we know can't."

Ouvir - Is anything wrong?

"I used to say
I'm ready show me the way
Then another year or two
Would pass me by
Is anything wrong?
Oh, love, is anything right?
And how will we know
Will time make us wise?
People outside
They know just what to do
They look at me
And they think that I know too
Is anything wrong?
Oh, love, is anything right?
And how will we know
Will time make us wise?
I've found a home
Now will life begin
I can wait another year or two
But not one moment more
Is anything wrong?
Oh, love, is anything right?
And how will we know
Will time make us wise?"

BESIDE YOU



I am a bird of you

What song do you like?

Flying, I can't sing for you.

But on your branch

Lovely voice

You shall listen to

*

I am wind of you

How can you embrace me?

Breezing, I might take away

Or to your ear

Soft voice

I might be whispering

*

I am an apple of you

What is your present, I think of

Ripening, I feel fresh air

Joyful voice

It shall be best of you


( Kar Morii, poetisa do Japão )

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Haiki


Haikai (俳句, Haiku ou Haicai) é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objectividade.
Os poemas consistem em três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras japonesas, e sete letras na segunda linha.
O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer deste tipo de poesia uma prática espiritual.
Bashô tornou-se a maior referência da poesia Japonesa, pela sua sensibilidade e profundidade.
Como um poeta Zen, ouvia o som da força da vida emergindo do vazio para encher tudo.

"O silencio
As vozes das cigarras
penetram as rochas"

"Ao sol da manhã
uma gota de orvalho
precioso diamante"

"De tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira"

"Como que levada
pela brisa, a borboleta
vai de ramo em ramo"

"Vento de outono
a silenciosa colina
muda me responde"

"E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?"



Inconsistencies

What am I suppose to do when aimless things are also so meaningful?...



Trying to focus but my heart deceive me...

O nosso Fado


Apesar de ter passado a minha infância em Moçambique e ter vivido com os ritmos quentes africanos, o Fado sempre fez parte das minhas referências musicais, graças aos meus pais. Modéstia à parte, qualquer um deles poderia ter sido fadista, e para brilharete de ambos, eram sempre instigados a cantar em qualquer festa ou convívio que participassem.
A mim o Fado reporta-me a esses tempos aúreos, ao facto de ver e olhar os meus pais como seres cheios de sentimentos, cantando a vida, a dor e a saudade.
Diz-se que o Fado é a voz do povo. Também é a voz gritante que nos cala os dias, o expor da nossa mágoa mais íntima, o revelar dos nossos segredos mais intrínsecos... Pôr a voz no Fado é pôr a voz dentro de nós mesmos.
Este é um dos que a minha mãe mais cantava.
Silêncio que se vai cantar o fado.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Breathe and quietly wait...


"...não somos seres suspensos em bolas de sabão, que vagueiam felizes pelos ares; nas nossas vidas há um antes e um depois, e esse antes e esse depois são uma ratoeira para os nossos destinos, pousam-se sobre nós como uma rede se pousa sobre a presa.(...)
O destino possui todo o poder e o esforço da vontade não passa de um pretexto.(...)

...quando o caminho atrás de ti é mais comprido do que o que tens à tua frente, vês uma coisa que nunca tinhas visto antes: o caminho que percorreste não era a direito mas cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para uma direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques.
Alguns desses desvios fizeste-os sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes, mas sentes pena.
Podias fazer uma coisa e não fizeste, voltaste para trás em vez de seguir em frente.(...)

E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera.
Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar."

In "Vai aonde te leva o coração"
Susanna Tamaro

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

L'important c'est la rose



Sabes como é o botão de uma flor?

Já é atraente, especial e único, e no entanto,
É apenas uma centelha de esplendor e da magnificência que está para vir.
Em si mesmo, ignora como a sua presença vai melhorar o mundo.



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