sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ainda o amor...



O Amor


O amor é tão leve, que não suporta o peso dos nossos desejos; e tão livre, que sucumbe sob as correntes que lhe tentamos impor. E, no entanto, é a maior força em nós.
Do amor, nascem os nossos sorrisos mais felizes; e da tentativa de escravizá-lo à nossa vontade, brotam as lágrimas mais sentidas.
O amor é, para a alma, como o ar é para o corpo. E, se é certo que dele necessitamos para viver, é igualmente certo que não o podemos reter em nossos pulmões.
O amor é como as nuvens, que flutuam pelo ar, livres de nosso controle. E, entretanto, ornamentam o céu e fazem nascer a chuva, que fertiliza os campos. Ou como as estrelas e a lua, que não estão presas ao firmamento e, brilhando em liberdade, fazem a beleza da noite.
O amor não absorve, completa.
É necessário que cada um ande o seu próprio caminho, para que o amor possa guiar os seus passos.
Pois aquele que por outro é guiado, não pode falar de amor, mas de submissão. Como aquele que busca impor a sua vontade, não procede em nome do amor, mas das suas próprias carências.
A plenitude não pode brotar senão de si própria. E como poderemos conhecer a plenitude do amor, se cada um de nós não estiver pleno em si mesmo?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Words

Rainy afternoon but words can put some spell on it and make you see the unseen sun...



Message in a bottle


O que escrevemos permanece para sempre em algum lugar.
O que dizemos pode escapar-nos da memória... por isso escrevo e gosto de o fazer.
Mas mesmo na linguagem escrita, há mensagens que nem sempre o vulgar leitor compreende.
Que é preciso ler com o coração e não com a mente...
Na mensagem escrita há a intenção de direccionar o que escrevemos a alguém.
Ou não. Pode ser desprovido de intencionalidade e ser apenas um grito que não se pode mais conter.
Eu não grito, mas canto...
E em alfabeto musical, dialecto desconhecido
Vou dando escrita ao que sinto e voz ao que não posso mais conter.



Life passing us by

Percorremos as ruas sem vermos as pessoas... Delineamos trajectórias pelos passeios de modo a contorná-las...


Enough

The silence can be deafening. Let's shout out loud to smooth our ears...

No limits




O pecado original é LIMITAR O SER.

Do I know you?...

...E cada pessoa é um mistério tão infinito, inesgotável, insondável, que não é possível que alguma vez se possa dizer: eu conheci-te ou eu conheço-te.
No máximo, poderemos dizer: fiz o possível, mas o mistério permanece um mistério.
Na realidade, quanto mais conhecemos, mais misterioso o outro se torna.
Então, o amor é uma constante aventura.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fields of gold

Imagine...

Hoje



Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minha alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...

(De: Mário Sá-Carneiro)



Babia

2 de Fevereiro - Hoje seria o aniversário da minha avó materna - Palmira Ferreira da Silva.
Para falar da minha avó, teria que escrever durante vários dias... mas resumidamente, devo dizer que tive a sorte de ter uma avó muito querida e amiga. Ela cuidou dos três netos e ainda de dois bisnetos. Um deles  batizou-a de "Babia", ficando assim o nome carinhoso pelo qual os miúdos a chamavam.
Viveu uma vida para a família, ficou viúva ainda cedo e foi uma mãe sempre presente e atenta.
Era crente em Santo António, a quem ela rezava várias vezes o "responso" e não é que resultava?
Tinha sempre notas escondidas dentro de livros e quando precisávamos de alguma coisa, parecia que nasciam soluções daquelas páginas.
Ganhou o segundo prémio do totoloto (ela e mais umas centenas naquela semana, logo não foi um prémio muito chorudo) e, na altura, eu estava grávida da minha filha e ela quis dar-me esse dinheiro para comprar o que fosse preciso para a bebé... Não queria aceitar por achar que a ela lhe pertencia e de fiquei enternecida quando verifiquei que ela só jogava pela expectativa e pelo prazer de dar.
Dar, era uma palavra comum na vida dela. Sempre deu tudo o que tinha e isso aplica-se também a si mesma... sempre se deu e dava o melhor de si.
Lembro-me dela cantar para eu adormecer, lembro-me dela ralhar com os rapazes que me rondavam a porta, lembro-me de ir à escola para me levar pão com tulicreme, lembro-me de estar sempre a sorrir. Lembro-me e as saudades são muitas...
Andava muito, gostava de ir tomar o pequeno-almoço à rua e de repente, viu-se entrevada numa cama...
O meu filho adorava-a, muito mesmo, quase sem mesmo nós percebermos a adoração tão latente que tinha por ela. Todos os dias a queria ver e ela já quase nada falava... Talvez o comovesse aquele estado em que se encontrava e ela sorria, sorria sempre. Era a velhinha mais sorridente, mais linda e mais meiga que existiu. Naquela cabeça os cabelos mantinham-se escuros sem vestígios de velhice, sinónimo da sua mente sempre jovem. Era engraçada, tinha ditos cheios de graça e encanto e tinha medo de borboletas, o que nos fazia sempre rir.
Veio a falecer em 2006 no dia 2 de Março, precisamente no dia de aniversário do meu filho... Deixou-nos um vazio enorme... Parabéns, foste a maior. Estás sempre no meu coração. Adoro-te, avózinha querida.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Le fabuleux destin d'Amélie Poulaine - la valse

Fragile


Don't think that love is eternal. He´s very fragile, fragile as a flower. And little things can destroy him...
And as higher it is more fragile it will be. He needs to be protected. A stone remain, but the flower don't.
If you throw a stone in the flower, the stone won't be hurt but the flower will be smash...
Love is very fragile and delicate. You need to be very cautious and caring with him.
And some ignorance will destroy him too... psychological games multiply themselves and it never ends well.
Love is a moment, a rare and precious emotion and no one should despise him.

This is now II


Um dia aprendemos que, depois de algum tempo descobrimos a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendemos que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começamos a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começamos a aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

( William Shakespeare )

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