domingo, 14 de fevereiro de 2010

Auto-controle


Os pensamentos são o leme dos nossos sonhos... E os pensamentos nem sempre são coerentes, rectos ou mesmo imparciais. Não conseguimos subjugar os pensamentos à nossa vontade e nem sempre sabemos muito bem onde nos levam...
Nada é fácil no dia de hoje, nada...
Pudesse eu controlar os pensamentos, achar a verticalidade e mantê-la, não ouvir a voz do coração e tudo estaria certo.
Mas assim, nada é fácil no dia de hoje.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Life


A tua paz é estanque, comedida
Na tua paz não cabe mais vida 
E a vida ameaça-te
Corta e despedaça
O teu deus é único e infalível
A tua vida é linha recta e sempre em frente
Gostaria de saber o que te move
O que te faz vivo e não zombi
Aonde pretendes chegar
Qual é o objectivo, tão estreito
Quem te contou
Que só existe um jeito? 

Voa


Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas, as palavras voam.
Viam as palavras como águias imensas.
Como escuros morcegos, como negros abutres, as palavras voam.
Oh! Alto e baixo, em círculos e rectas acima de nós,
em redor de nós, as palavras voam.
E às vezes pousam.

Por: Cecília Meireles


" Se te sentes só, num mundo de estranhos, e anseias por alguém que ainda não conheces... Se as nuvens onde voas, num céu azul de esperança, em cinzento se tornam e te sentes cair... Se sentes mesmo assim, que queres abrir as asas e recuperar o voo, que para ti, é tudo..."

Por: Richard Bach

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Taking a ride...


I love the fog as much as I love the sun...
The sun lights things up and warm our thoughts as much as our skin.
The fog embraces things up and smoke our lyrics as much as our hearts.
In the morning on the road, I couldn't see a palm in front of my eyes...
The fog embraced my soul and gave me poetic memories, lyrics
And timeless feelings became sweeter as if I were in a dream...
Dreams are a wonderful thing.
It's a ride in our beds, taking you to places where nothing else exist, just you and your dream...


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Chhhhiiiu...


Life is like a dance...
The setbacks, the delays and the deviations, sometimes are a way to show that the best is yet to come.
Whatever you do, don't stop the dance...

It's strange


Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos.
O que é mais simples, como o amor ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida.
Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras.
Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.

Nuno Júdice

Quero-te...


Quero-te,
como se fosses a presa indiferente,
a mais obscura das amantes.
Quero o teu rosto de brancos cansaços,
as tuas mãos que hesitam,
cada uma das palavras que sem querer me deste.
Quero que me lembres e esqueças como eu te lembro e esqueço:
num fundo a preto e branco,
despida como a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa, voz incerta de rosa.

Nuno Júdice

O menino e a borboleta encantada

Mil e uma noites haviam se passado desde que o Pássaro Encantado partira. Então ele voltou. Era madrugada. A Menina o viu tão logo a luz alegre do Sol fez brilhar as suas penas. Ela o estava esperando. Os apaixonados esperam sempre... Ah! Como foi bom aquele abraço de saudade! Desta vez as suas penas estavam coloridas com as cores das florestas sobre as quais voara. O Pássaro Encantado pôs-se então a cantar os seres das matas, árvores, orquídeas, regatos, cachoeiras, elfos e gnomos... A Menina não se cansava de ouvir. Ouvia e pedia que ele contasse de novo as mesmas estórias, do mesmo jeito. E assim viviam os dois, se amando por dias e dias.

Mas sempre chegava o momento em que o Pássaro dizia: "Menina, o vôo me chama. Preciso partir. É preciso partir para que o nosso amor não tenha fim. O amor precisa de saudade para viver..." A Menina chorava baixinho, mas compreendia. E assim o amor acontecia entre partidas e retornos.

As asas do Pássaro pareciam incansáveis. Estavam sempre à procura de lugares desconhecidos. Ele já visitara montanhas encantadas, planícies geladas, lagos, rios, abismos, castelos, uma cudade na divisa entre a realidade e a fantasia, um reino onde era proibido estar triste, lugares sagrados, vulcões, o país dos dragões verdes e dos gigantes amarelos, jardins, selvas verdes, mares azuis, praias brancas... Sobre todos esses lugares ele lhe contara estórias. A Menina não tinha asas. Mas ela voava nas estórias que o Pássaro lhe contava.

Mas os anos foram se passando. O Pássaro envelheceu. Suas asas já não eram as mesmas da juventude. E também os seus sonhos já não eram os sonhos da mocidade. Deseja-se partir quando é manhã. Mas quando o sol se põe o que se deseja é voltar. E assim um desejo novo surgiu no coração do Pássaro crepuscular: voltar...

O sol acabara de se pôr. Vênus brilhava no horizonte. Foi então que a Menina o viu. Suas penas pareciam incendiadas pelo Sol. Depois do abraço ele disse a Menina al-go que nunca lhe dis-sera antes: "Menina, conte-me as estórias da minha ausência..." E foi assim que, pela primeira vez, o Pássaro se calor e a Menina lhe contou estórias.

Por muitos dias o Pássaro e a Menina gozaram do seu amar. Mas o Pássaro já não era o mesmo. Algo acontecera com os seus olhos. Já não procuravam horizontes longínquos. Eles olhavam as coisas simples que havia na sua casa, coisas que sempre estiveram lá, mas que ele nunca havia visto. Não vira porque o seu coração estava em outro lugar. É o coração que nos diz o que é para ser visto.

Aconteceu então, num dia como os outros, o Pássaro abraçou a Menina e sentiu, nas costas da Menina, algo que nunca sentira. "Menina, o que é isso?", ele perguntou. Ela enrubesceu e respondeu: "Asas, pequenas asas... Estão crescendo nas minahs costas..." E para que ele as visse baixou sua blusa. E ele viu. Sim, pequenas asas, delicadas asas, asas de borboleta, coloridas, diáfanas, frágeis... E ele percebeu que a Menina se preparava para voar. Sua Menina se transformara numa borboleta...

O Pássaro sorriu uma mistura de alegria e de tristeza. Sentiu um leve tremor nos lábios, aquele mesmo tremor que vira nos lábios da Menina a primeira vez que lhe dissera: "Eu quero partir..." Chegara a hora em que ela partiria e ele ficaria. Ele seria, então aquele que esperaria. Como é dolorido ficar! A solidão de quem fica é maior que a solidão de quem parte! Quem parte vai para mundos novos, cheios de maravilhas desconhecidas. Quem fica fica num espaço vazio, de objetos velhos, esperando, esperando, contando os dias.

O momento da despedida chegou. A Menina, flutuando com suas grandes asas de borboleta, disse ao Pássaro: "Preciso partir..."

O Pássaro teve vontade de chorar. Queria lhe dizer: "Não vá. Eu a amo tanto". Mas não disse. Lembrou-se de que essas haviam sido as palavras que a Menina lhe dissera quando ele partira pela primeira vez. O Pássaro temia por ela. Suas asas eram tão frágeis, asas de borboleta que quebravam-se a toa. Queria estar com ela para consolá-la na solidão e no cansaço. Mas não fez gesto algum. Ele sabia que os abraços que não se abrem são mortais para o amor.

Ele estendeu a sua mão num gesto de despedida. A Borboleta voou e nela pousou. Ele se aproximou dela, como se fosse beijá-la. Mas não beijou. Apenas soprou suas asas suavimente. "Voa, minha linda Borboleta", ele disse, se despedindo. A Borboleta bateu suas asas, voou e desapareceu na distância.

Então, ao olhar de novo para si mesmo ele não se reconheceu. Já não era o Pássaro Encantado de penas coloridas. Transformara-se num Menino... Um Menino que não sabia voar. Um Menino que esperava a volta da Borboleta Encantada. Então ele voaria nas asas das estórias que ela haveria de lhe contar...

Por: Rubem Alves

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ella Fitzgerald


She said: "Oh, I have gobs and gobs of ideas, but... well, you dream things like that, and that's what these are, you know - my day dreams."

Looking for


I'm chasing after butterflies, birds, clouds...

I'm chasing the wind, the snow, the rain and the sun

I'm looking for life, wanting to hold her in my hands

But the butterflies fly away, also the birds...

The clouds go along with the wind

And the rain and the snow melt with the sun

What am I really chasing after?

Maybe, you there.

(Me here)

Os búzios

Para quem gosta (ou não) de fado:



A perfect day



"Que nenhuma estrela queime o teu perfil.
Que nenhum deus se lembre do teu nome.
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro.
Livre como o vento e repetido.
Como o florir das ondas ordenadas."

( Sophia de Mello Breyner )

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