"Um dia hei-de pensar no teu rosto
com um dedo que feche pálpebras
e direi
extinguiu-se a minha adoração
e nunca mais procurarei
os vestígios dos teus passos no mundo"
Luís Falcão in pétalas negras ardem nos teus olhos
O historiador egípcio Muhammad ibn Iyas dizia que, em tempos de fome, os compatriotas “comiam cães e gatos mas nunca dirigiam a sua fúria contra o faraó”. A queda de Mubarak mostra que o povo perdeu o medo e venceu o “raïs”. Dezoito dias de revolução terminaram 30 anos de um poder autocrático e corrupto. Com a demissão do Presidente do Egipto – país líder da “nação árabe” – a praça Tahrir abriu uma nova era no Médio Oriente.
A Expressão Dramática nasce connosco quase como um gene e revela-se desde cedo. A necessidade de comunicar é inata ao ser humano e é através da comunicação e da expressão que damos forma aos diversos papéis que assumimos na nossa vida quer sejam eles papéis sociais, profissionais ou pessoais. Também é através do drama que resultam as actividades de expressão dramática, actividades estas que surgem inicialmente na nossa vida, ainda em criança, através do jogo simbólico – essa necessidade de imaginar e de fantasiar surge por volta dos dois anos e, Jean Piaget, descreve bem essa fase do desenvolvimento cognitivo da criança, pela necessidade que esta tem em substituir objectos reais pelo real dos seus desejos – transforma um lápis num avião ou uma borracha num carrinho. É esta necessidade de fantasiar que no processo de maturação da criança à idade adulta, vem sendo dissimulada, seja por uma questão de vergonha, timidez ou simplesmente por não querer cair no ridículo de assumir que continuamos a ser seres de necessidades básicas e que a imaginação está na base de quase todo o nosso sucesso. Por outro lado, o expor de toda a nossa emoção, também pode ser motivo de retraimento, pelo que desde cedo, a Expressão Dramática deve ser uma forma privilegiada e de primazia de ensino, que servirá de base para outras aprendizagens, através da tomada de consciência do nosso corpo, da capacidade de nos expressarmos e de comunicarmos, aprendendo a escutar e a falar, cadenciando a nossa própria comunicação.
A música, em si, é um instrumento poderoso. Os benefícios da música na infância estão comprovados e são mais que muitos, abrangendo várias áreas do desenvolvimento. Na primeira infância, a música e o ritmo fazem com que a criança sinta vontade de balouçar, dançar, estimulando-a para o movimento grosso do corpo, mas onde a motricidade fina também é contemplada, através da vontade que a criança tem em tocar certos instrumentos que requerem alguma perícia motora. A vertente emocional da criança desenvolve-se gradualmente quando existe contacto com a música, porque na verdade, a música emociona, pode provocar sentimentos profundos, por isso é ouvida em momentos tão especiais na vida, como por exemplo, nos casamentos, mas também porque as crianças criam ligações emocionais através das experiências musicais.