terça-feira, 28 de junho de 2011

Yo lo llamo “poesía”...





Desde que no hay maldad
Que no hay ni hambre
Ni miedo ni soledad
No hay nadie que me ame
En toda esta ciudad
Desde que no hay dolor
No hay nadie que sufra
Por un amor
Nadie más que yo
No no quiero olvidar

domingo, 26 de junho de 2011

Rapture


Screw poetry, it’s you I want, your taste, rain on you, mouth on your skin.

Margaret Atwood





Eu sei


Eu sei, não te conheço mas existes.
por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.

(...)
Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
Porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
Em todas as palavras do meu canto.

 
Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo.


Joaquim Pessoa

sábado, 25 de junho de 2011

Um pouco mais...


Podes dar uma centelha de lua,
um colar de pétalas breves
ou um farrapo de nuvem;
podes dar mais uma asa
a quem tem sede de voar
ou apenas o tesouro sem preço
do teu tempo em qualquer lugar;
podes dar o que és e o que sentes
sem que te perguntem
nome, sexo ou endereço;
podes dar em suma, com emoção,
tudo aquilo que, em silêncio,
te segreda o coração;
podes dar a rima sem rima
de uma música só tua
a quem sofre a miséria dos dias
na noite sem tecto de uma rua;
podes juntar o diamante da dádiva
ao húmus de uma crença forte e antiga,
sob a forma de poema ou de cantiga;
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
do relógio da vida sem atraso,
e sendo tudo isso serás ainda mais,
anónimo, pleno e livre,
nau sempre aparelhada para deixar o cais,
porque o que conta, vendo bem,
é dar sempre um pouco mais,
sem factura, sem fama, sem horário,
que a máxima recompensa de quem dá
é o júbilo de um gesto voluntário.

E, afinal, tudo isso quanto vale ?
Vale o nada que é tudo
sempre que damos de nós
o que, sendo acto amor, ganha voz
e se torna eterno por ser único e total.

José Jorge Letria

I've watched and loved it deeply


"I almost wish we were butterflies and liv'd but three summer days - three such days with you I could fill with more delight than fifty common years could ever contain."

John Keats

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bright Star


Bright star, would I were stedfast as thou art
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors
No yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever´or else swoon to death.
 
John Keats

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Immerse your soul in love



Rows of houses, all bearing down on me
I can feel their blue hands touching me
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out

This machine will, will not communicate
These thoughts and the strain I am under
Be a world child, form a circle
Before we all go under
And fade out again and fade out again

Cracked eggs, dead birds
Scream as they fight for life
I can feel death, can see its beady eyes
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out again

Immerse your soul in love
IMMERSE YOUR SOUL IN LOVE

sábado, 18 de junho de 2011

How to undo poetry?


"Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.

Vai-te, Poesia!

Não quero cantar.
Quero gritar!"

José Gomes Ferreira

quarta-feira, 15 de junho de 2011

E ao anoitecer...


E ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
Deixas viver sobre a pele uma criança de lume
E na fria lava da noite ensinas ao corpo
A paciência o amor o abandono das palavras
O silêncio
E a difícil arte da melancolia

Al Berto

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pálida memória...


Pálida sombra esvoaça
Como só fingindo ser
Por entre o vento que passa
E altas nuvens a correr.

Mal se sabe se existiu,
Se foi erro tê-la visto,
Sombra de sombra fluiu
Entre tudo de onde disto.

Nem me resta uma memória.
É como se alguém confuso
Se não lembrasse da história.

Fernando Pessoa
(Hoje, o seu 123º aniversário)

domingo, 12 de junho de 2011

Fragmentos


Fragmentos são pedaços
de ideias no papel
são vivências, como traços
de cometas pelo céu
são os portos da memória
onde buscamos veleiros
de lembranças
e estórias
perdidas nos nevoeiros
são os teares de sonhos, de ilusões
pensamentos
como toda chama ou vida
seguindo o rumo dos ventos
feito nós, quando dormimos e sonhamos fragmentos.

Chico Fábio

Less than...


Less than the cloud to the wind,
Less than the foam to the sea,
Less than the rose to the storm,
Am I to thee.

More than the star to the night,
More than the rain to the tree,
More than heaven to earth
Art thou to me. 

Sara Teasdale

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quando um dia o mundo se desfizer

Podes dizer ao mundo inteiro
que estas letras são tuas,
assim como os desenhos que fiz,
os espaços que deixei.
Podes dizer a toda a gente que um dia
te amei e que foste tu quem me fez poeta.
Podes nadar em orgulho ao saber
que todos os copos que bebi foram por ti.
Que os cigarros que fumei ansiosa e
apressadamente foram pela saudade
do teu corpo.

Quando falarem de raios e relâmpagos
de trovões e de tufões, vais poder
dizer que fui eu quem fez a China,
quem ergueu muralhas e deitou as
lágrimas de sangue.
Quando te perguntarem se um dia me
conheceste, diz que sim.
Responde um afirmativo de poder e de vontade.
Podes deixar o medo do conhecimento
alheio, agora que te sou realmente alheia.
Quando um dia o mundo se
desfizer verdadeiramente em estações trocadas
o Verão pelo Outono ou o Inverno pela
Primavera - aí podes descansar.
Podes contar à galáxia e aos seus
sobreviventes que, meu eterno desconhecido,
um dia me fizeste rainha.

José Eduardo Agualusa

sexta-feira, 3 de junho de 2011

My name

As palavras têm o seu peso, conseguem transmitir os sentimentos e desnudar o coração.
As músicas deixam traduzir as emoções que sentimos, de uma forma velada, sem sermos os autores.

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